Alguns chamam de escapismo, essa tentativa de fugir da realidade e embarcar numa procura pelas raízes, retomando antigas tradições e rituais. Na moda, esta é a base para a construção do tribalismo – o retorno aos motivos étnicos nas coleções, resultado de inúmeras pesquisas sobre tribos africanas, incas, maias, astecas, etc.
Parece que o mundo fashion não se cansou das fotos dos mascarados africanos tiradas pelo artista Phyllis Galembo. Aliás, quantas coleções de estudantes tomaram este caminho em suas experimentações com muitas cores e trabalhos manuais! É o caso da desginer recém-formada pela Central Saint Martins, Jenny Postle.
Na gringa, a dupla Proenza Schouler trabalhou de forma primorosa os motivos dos cobertores de antigos povos americanos em seu desenvolvimento de design de superfície da coleção de inverno 2011.
Já no Brasil a leitura do que acontece “lá fora”, as vezes, serve de cópia; outras, de inspiração. Parece que a tradução do tribalismo para o nosso tupi-guarani é uma boa dose de brasilidade. Seja nas estampas extremamente tropicais de animais regionais na coleção impecável de Pedro Lourenço, ou na escolha delicada de materiais como palha de seda e escama de peixe no desfile Royal Black da Osklen.
Parece que só mesmo quando o mundo quer escapar de tudo que o brasileiro se encontra!
Por Ana Luiza Gomes, do A Pattern A Day.
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